Estou quase a fazer 50 anos, e por dentro, sinto-me melhor do que nunca. Mais centrada, mais desperta, com vontade de começar novas coisas. Mas o corpo… às vezes parece não estar no mesmo capítulo. O sono tornou-se imprevisível, o metabolismo faz pausas artísticas e as hormonas trabalham em regime independente.
Não é uma tragédia, é apenas uma nova fase. Só que o mundo inteiro tem opiniões sobre ela. Há médicos, terapeutas, life coaches, biohackers e outros especialistas do equilíbrio que prometem respostas absolutas para tudo. “Controle as suas hormonas”, “recupere a energia dos 30”, “optimize o envelhecimento”. Prometem juventude em cápsulas, equilíbrio em frascos e serenidade em três passos.
Desculpem, mas não acredito. Desconfio sempre de quem fala com tanta certeza sobre o corpo dos outros — principalmente sobre o corpo feminino, que é tudo menos previsível. As hormonas não seguem manuais, os ciclos não são matemáticos e o bem-estar não se mede em percentagens.
A verdade é que, aos 50, o corpo muda — e nós também. Mas o curioso é que, enquanto o corpo abranda, a cabeça acelera. Há mais lucidez, mais foco, mais liberdade para escolher o que faz sentido e deixar o resto. É um tipo de juventude diferente: menos adrenalina, mais clareza.
Hoje, cuido-me sem pressa. Durmo o melhor que consigo, como de forma sensata, mexo-me quando tenho energia e rio-me quando o corpo decide fazer das suas. Envelhecer, afinal, é isto: continuar a viver — mas com mais humor, outra consciência e muito menos ruído à volta.
Não é que a verdade tenha deixado de existir, mas ficou a competir num ringue com adversários que dão mais audiências.