(E ninguém fala sobre isto)

 

 

Há uma coisa que quase ninguém admite em voz alta:

às vezes, não é nas más notícias que caímos.

É nas boas.

 

E isso é profundamente desconcertante.

 

Como é que alguém que passa a vida a resolver problemas, a levantar paredes, a empurrar o mundo para a frente — alguém otimista, funcional, que já sobreviveu a tempestades reais — desarma precisamente no momento em que algo bom acontece?

 

Como é que a boa notícia chega… e o corpo responde com um ataque de pânico?

 

 

O corpo cria hábitos — mesmo os que não pedimos

 

Quando se vive muitos anos com ansiedade, mesmo sendo optimista, existe uma espécie de “musculatura de alerta” que se instala.

É como se o corpo dissesse:

 

“Mantém-te preparada. Antecipar problemas é uma forma de proteção.”

 

A luta torna-se familiar.

A tensão torna-se um idioma.

E resolver é quase uma espécie de superpoder.

 

Por estranho que pareça, nas más notícias sabemos o que fazer:

agir, pensar, reagir, sobreviver.

 

É automático. É confortável no desconforto.

 

Mas quando chega algo bom — algo que nos alivia, que permite respirar — o corpo perde o guião.

Não reconhece este território.

E, no vazio que fica, entra em curto-circuito.

 

 

O relaxamento pode parecer perigoso a quem nunca teve permissão para relaxar

 

O ataque de pânico que surge após uma boa notícia não é medo.

É libertação!! :)


É como se todo o stress que estivemos a segurar a ferros tivesse finalmente um espaço para sair.

E sai mal. Sai rápido. Sai em forma de onda.

 

Não é racional.

 

É fisiológico.

 

O sistema nervoso diz:

“Se não estou em alerta… o que é que me está a escapar?”

 

E dispara.

 

A forma de descodificar:

Não é medo da boa notícia — é stress acumulado a sair sem avisar.

 

 

Força acumulada também cansa

 

Isto não acontece porque somos frágeis.

Acontece porque fomos fortes durante demasiado tempo.

Geralmente acontece às pessoas que seguram tudo, que resolvem tudo, que raramente colapsam quando o mundo está a cair.

O corpo aguenta anos em esforço.

Até que, quando finalmente pode descansar, não sabe como.

 

A boa notícia torna-se o gatilho para soltar tudo o que ficou guardado.

 

 

Não é falha. É reprogramação.

 

O que recebes não é um ataque de pânico por causa da notícia boa.

É o corpo a dizer:

“Eu não sei viver sem tensão.

Ensina-me.”

 

É o sistema nervoso a reaprender o caminho de casa.

E isso leva tempo.

 

A descodificação é esta:

Não estás a reagir mal ao positivo. 

Estás a libertar o negativo antigo que já não cabe em ti.

 

 

Se isto também te acontece

 

Respira fundo.

Não és a única.

E não é um defeito — é uma memória do corpo que se está a desfazer.

As boas notícias não são o problema.

São apenas o primeiro momento em que deixas de estar em modo sobrevivência. 

 

Stay Strong <3

Raquel